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Joana Cunha

Esteve um semestre na Universidade Politécnica de Barcelona, em 1991/92, como finalista de Engenharia Têxtil. Hoje é professora e investigadora desta área na UMinho.
“Porque parti? Aliciava-me a ideia de conhecer outro espaço e modo de vida, de conviver fora do país. E a Europa em 1991 não era tão próxima como hoje – não havia as facilidades de viagem ou de saídas e a nossa situação também não era desafogada”, evoca Joana Cunha, uma das primeiras estudantes da UMinho a participar no maior programa de intercâmbio europeu. Falava-se do Erasmus há pouco tempo. A primeira leva nesta academia terá sido em 1990/91 e Joana Cunha decidiu concorrer, logo após Alexandre Sá, colega da licenciatura em Engenharia Têxtil, hoje a trabalhar numa empresa minhota do setor.
Os convénios do curso permitiam ir para França ou Espanha. Joana Cunha optou logo pela Faculdade Escola Superior de Engenheiros Técnicos e Industriais de Terrassa, da Universidade Politécnica da Catalunha​. “Fui pela proximidade da língua, mas enganei-me. Catalão não é castelhano e foi difícil comunicar no início, mas depois tornou-se muito interessante”, sorri. Era a única portuguesa, entre alunos de várias partes de Espanha e da América do Sul. A mobilidade ocupou-lhe o final do curso, de setembro de 1991 a março de 1992. A formação mista incluiu aulas teórico-práticas e um projeto de trabalho numa empresa de fiação laneira local. As matérias abordavam desde a parte laneira à engenharia industrial, por exemplo.
Terrassa é o coração têxtil da Catalunha e fica a 28km de Barcelona. Por isso, muitos alunos Erasmus iam ao fim de semana para aquela capital, percorrendo os rastos do modernismo, os museus, as ramblas. “Tínhamos um grupo agradável fora da universidade, fiz bons amigos e tenho boas memórias. Foi um ano antes dos Jogos Olímpicos, toda a cidade estava em obras, do estádio ao aeroporto”, salienta Joana Cunha. Um problema na máquina fotográfica impediu-a de ficar com registos desse tempo, “mas ficam sempre as boas recordações”, sorri. O programa Erasmus mudou-a? “Sem dúvida, ajudou-me a crescer e ‘ganhar estofo’ para enfrentar melhor os desafios da vida”, anui, para atalhar: “Ajudou-me até a gerir a distância e o que isso significa. Na altura, as coisas eram mais longe, não havia as facilidades de comunicação atuais”.
Hoje, Joana Cunha é professora e diretora adjunta do Departamento de Engenharia Têxtil da UMinho. E, sempre que pode, aconselha os estudantes a tirarem o bilhete Erasmus. “Viver outras culturas e realidades é algo que levamos na bagagem para o resto da vida”, define. Barcelona tornou-se a sua cidade de eleição fora de Portugal. E já voltou lá como docente, em 2006, para uma especialização em Design de Acessórios no Instituto Europeu de Design.
Joana Cunha fez toda a sua formação na UMinho, incluindo o mestrado em Design e Marketing e o doutoramento em Engenharia Têxtil – ramo Design e Marketing. É, também aqui, professora da Escola de Engenharia desde 1992 e investigadora do Centro de Ciência e Tecnologia Têxtil (2C2T​) desde 1996, além de diretora de (pós-)graduações na área. Tem centrado a investigação na aplicação do design emocional, inclusivo e de superfícies em produtos de base têxtil e no campo da moda.
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